16
Nov

Morrer poeta


Era uma vez uma menina, que pensava que nascia para ser poeta, para engrandecer as coisas pequenas,

alargar as fronteiras do próprio corpo,

olhar para o mundo dentro de si.
Para ir mais longe que a própria vida
e confundir os outros com as suas palavras…

Mas quando a menina se fez mulher, contemplou o mundo à sua volta e sorriu,
estava cansada de olhar só para si,
de escrever palavras que só ela conhecia,
de viver histórias na sua cabeça
e construir castelos na areia.

Com o seu olhar vazio de mundo, a menina agora mulher pegou nos seus poucos pertences,

despediu-se da vida que não era sua,
e dirigiu-se à estrada que nascia dentro de si.

O seu destino é o próprio destino,
o de fazer-se pequena no mundo,
de contemplar cada nascer e pôr do sol,
como se, a cada dia, contemplasse o seu próprio nascimento.

Morreu para ela mesma, para que no mundo pudesse nascer,
renasceu um ser vivente, um ser que vê, respira e ama…
E agora enfrenta um infinito que nunca poderá abarcar,
como um marinheiro enfrentando as fúrias dum revolto Mar.

E nesse confronto, que existe em tudo, ela encontrou a sua própria luta,
renasceu visionária,
para mostrar o que os outros tardam em ver,
para dizer: “Parem… o mundo é vosso e espera apenas uma oportunidade para vos ensinar a viver…”

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One Response


  1. marisa on 18 Nov 2009

    Adorei o poema…
    Faz sonhar..

    Beijo

    :D


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